Depois de girar a taça, filetes de líquido descem lentamente pelo vidro. São chamados de lágrimas ou pernas do vinho e frequentemente recebem interpretações sobre corpo, açúcar ou qualidade. A explicação real é principalmente física.
Álcool e tensão superficial
Água e álcool possuem propriedades diferentes. Quando uma fina camada de vinho sobe pelo vidro, o álcool evapora mais rapidamente e altera a tensão superficial do líquido restante.
Esse movimento contribui para a formação das gotas que acabam descendo pela parede da taça.
O que elas podem sugerir
Teor alcoólico influencia o fenômeno, assim como temperatura e condições da taça. Vinhos com mais álcool podem produzir lágrimas mais evidentes, mas a observação não funciona como instrumento preciso de medição.
Açúcar e viscosidade também podem modificar a aparência em determinados estilos.
O que elas não dizem
Lágrimas bonitas não provam que o vinho é de alta qualidade. Um vinho simples e alcoólico pode apresentar pernas marcantes; um vinho excelente pode não chamar atenção por esse aspecto.
Qualidade depende de equilíbrio, complexidade, intensidade, persistência e adequação ao estilo, entre muitos outros fatores.
Um mito fácil de abandonar
O fascínio pelas lágrimas provavelmente vem do ritual visual da degustação. Observar a taça faz parte da experiência, mas atribuir valor qualitativo ao fenômeno cria uma segurança que ele não oferece.
Vale olhar, mas sem transformar o vidro em oráculo. Para entender o vinho, aroma, sabor, estrutura e equilíbrio dizem muito mais do que os caminhos que as gotas fazem na taça.



