A produção de vinhos do México ganhou um novo retrato com a edição de 2026 da Guía Peñín dedicada ao país. A publicação reuniu avaliações de aproximadamente 400 vinhos de 57 vinícolas distribuídas por oito regiões produtoras. O levantamento aponta uma indústria que busca definir identidades próprias, com diferenças de clima, variedades cultivadas e escolhas de vinificação.
As regiões representadas são Aguascalientes, Baja California, Chihuahua, Coahuila, Guanajuato, Jalisco, Querétaro e San Luis Potosí. A amplitude geográfica ajuda a explicar por que não existe um único perfil de vinho mexicano: as condições de cultivo e as decisões dos produtores variam de uma área para outra.
Pontuações e mudanças de estilo
Três rótulos chegaram a 94 pontos, a nota mais alta desta edição, e outros 12 alcançaram 93 pontos. As classificações expressam a avaliação da equipe da Guía Peñín segundo seus próprios critérios; não constituem uma medida universal de qualidade nem representam todos os vinhos produzidos no país.
Carlos González, diretor da publicação, descreve o momento mexicano como uma fase de definição das identidades regionais. Entre os tintos avaliados, o guia identifica sinais de uma mudança gradual em direção a estilos mais frescos e frutados, com menor protagonismo da madeira em parte das amostras.
Nos brancos, um dos desafios descritos é conservar a acidez em zonas quentes. O interesse por variedades como Viognier, Verdejo e Riesling aparece como parte da experimentação dos produtores para obter perfis distintos e responder às condições locais.
Um setor em busca de identidade
O levantamento não indica que todas as vinícolas adotaram a mesma orientação. Ao contrário, a diversidade de origens e estilos é um dos pontos centrais da edição. A comparação entre regiões permite observar tendências, mas não substitui a análise das condições específicas de cada propriedade.
A edição de 2026 oferece, assim, um panorama de um setor em transformação: ao lado das pontuações, o dado relevante é a busca por vinhos que expressem melhor suas regiões de origem, em vez de reproduzir um único modelo de elaboração.



