InícioVinhosCaberlot: a variedade rara que encontrou identidade própria na Toscana

Caberlot: a variedade rara que encontrou identidade própria na Toscana

A Caberlot é uma variedade rara que encontrou na Toscana um projeto dedicado à sua identidade. A história do vinho produzido pela Podere Il Carnasciale está ligada à descoberta da uva pelo agrônomo italiano Remigio Bordini e à decisão da família Rogosky de apostar em seu cultivo, quando quase ninguém a conhecia.

Apontada como um possível cruzamento natural envolvendo Cabernet Franc e Merlot, a Caberlot reúne características associadas às duas variedades, mas não é uma mistura de vinhos elaborados a partir delas. Essa hipótese de parentesco não deve ser tratada como origem genética comprovada. A uva foi identificada em um antigo vinhedo na região de Pádua, antes de ganhar espaço na propriedade toscana.

Um pequeno vinhedo e uma aposta arriscada

Wolf Rogosky e sua família decidiram plantar Caberlot em uma área antes ocupada por oliveiras. O primeiro vinhedo da propriedade, com aproximadamente 0,3 hectare, foi implantado em 1986. Naquele momento, não havia um mercado estabelecido para vinhos dessa variedade, o que tornava o projeto uma experiência de alto risco.

A primeira safra do vinho foi a de 1988, inicialmente com uvas provenientes do vinhedo experimental de Bordini. Segundo relato da Revista Adega, a produção daquela safra foi de apenas cerca de 300 garrafas magnum. A primeira colheita elaborada integralmente com uvas da própria Podere Il Carnasciale viria em 1991.

Magnums e produção limitada

O formato magnum, com 1,5 litro, tornou-se uma das marcas do projeto. A escolha refletia a convicção de Rogosky de que garrafas maiores favoreceriam a evolução dos vinhos. A pequena produção, somada ao cuidado com o cultivo e a elaboração, contribuiu para a reputação singular do rótulo.

O projeto também enfrentou contratempos. A Revista Adega relata que, em 1990, a produção não aconteceu porque javalis consumiram as uvas antes que o vinhedo fosse protegido. Nos anos seguintes, novas parcelas foram plantadas, permitindo ampliar gradualmente o cultivo sem transformá-lo em produção de massa.

A trajetória da Caberlot ilustra como uma variedade pouco difundida pode construir uma identidade própria quando associada a um lugar, a uma família e a decisões persistentes de viticultura. Sua história se destaca menos pelo tamanho da produção do que pela continuidade de uma aposta iniciada em um pequeno terreno da Toscana.

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