A reputação de Willamette Valley, no estado americano de Oregon, como região produtora de Pinot Noir nasceu de uma série de experiências iniciadas na década de 1960. A história oficial reunida pelo Oregon Wine Board mostra como produtores apostaram em variedades de clima fresco em uma área que ainda não tinha o reconhecimento internacional de hoje.
Em 1965, David Lett enraizou mudas de Pinot Noir perto de Corvallis enquanto procurava um local definitivo para seu vinhedo. No mesmo período, Charles e Shirley Coury participaram dos primeiros esforços de plantio. Posteriormente, Lett transferiu as videiras para a propriedade que se tornaria The Eyrie Vineyards, em Dundee Hills.
Uma geração de pioneiros
Dick Erath chegou à região em 1968 e preparou seus primeiros plantios para o ano seguinte. Também em 1969, Dick e Nancy Ponzi começaram a estabelecer um vinhedo, enquanto Jim e Loie Maresh iniciaram o plantio de videiras no que se tornaria o Maresh Red Hills Vineyard.
Esses nomes integram uma história mais ampla de produtores que precisaram aprender a trabalhar com o clima, os solos e as condições locais. O desenvolvimento regional não resultou de um único empreendimento, mas da continuidade de experiências em propriedades diferentes.
Os vinhedos antigos como patrimônio
As plantações pioneiras ajudam a contar a trajetória da viticultura de Oregon. No caso da família Maresh, a cronologia oficial situa o início dos plantios em 1969. Essa informação não significa que todas as videiras atualmente cultivadas no local sejam daquela época: idade de plantio e idade das plantas existentes são conceitos distintos.
Além do valor histórico, a identificação de vinhedos antigos permite acompanhar decisões de cultivo e a adaptação das variedades à região. É importante, porém, não presumir que a idade de uma videira, isoladamente, determine a qualidade de um vinho.
Reconhecimento e identidade regional
O Oregon Wine Board registra que o Pinot Noir Reserve 1975 de David Lett conquistou atenção internacional ao figurar entre os dez primeiros colocados de uma degustação às cegas realizada na França em 1979. Em 1983, Willamette Valley recebeu o reconhecimento oficial como American Viticultural Area (AVA), denominação geográfica usada nos Estados Unidos.
A trajetória de Willamette Valley mostra como a identidade de uma região vinícola é construída ao longo de décadas. Os primeiros produtores abriram caminho para uma área hoje associada à Pinot Noir, mas cuja produção também inclui Chardonnay, Pinot Gris, Riesling e outras variedades.



