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Consumo mundial de vinho recua 2,7% e chega a 208 milhões de hectolitros

O consumo mundial de vinho foi estimado em 208 milhões de hectolitros em 2025, queda de 2,7% em relação ao ano anterior. O resultado integra o balanço publicado em maio de 2026 pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e reforça a dimensão do desafio enfrentado pelos produtores: a demanda segue enfraquecida em grande parte dos principais mercados.

Segundo a entidade, nove dos dez maiores mercados consumidores registraram redução de volume. A retração não se limita, portanto, a um país ou a uma região produtora específica. Ela combina mudanças mais duradouras nos hábitos de consumo, especialmente em mercados maduros, com dificuldades econômicas recentes que afetam o poder de compra.

Uma mudança que vai além de um ano

A OIV distingue os fatores conjunturais, como o encarecimento de produtos e as incertezas econômicas, de transformações estruturais na relação do público com o vinho. Isso significa que uma eventual melhora das condições econômicas não garante, por si só, a recuperação dos volumes consumidos anteriormente.

O enfraquecimento da procura também precisa ser observado ao lado da produção. O volume mundial produzido em 2025 foi estimado em 227 milhões de hectolitros, em patamar historicamente baixo pelo terceiro ano consecutivo. Na avaliação da OIV, a oferta reduzida e o ajuste gradual dos estoques têm ajudado a conter desequilíbrios mais acentuados no mercado.

Comércio internacional também perdeu força

As exportações mundiais somaram 94,8 milhões de hectolitros em 2025, recuo de 4,7%, enquanto o valor exportado caiu 6,7%, para 33,8 bilhões de euros. A entidade relaciona o resultado tanto à demanda mais fraca em importantes destinos quanto às incertezas comerciais e às medidas tarifárias dos Estados Unidos.

Apesar da redução, a presença internacional do vinho continua elevada: quase uma em cada duas garrafas consumidas no mundo é bebida fora do país onde foi produzida. O dado mostra por que alterações de consumo e políticas comerciais em poucos grandes mercados podem repercutir sobre produtores de diferentes origens.

Os números de 2025 são estimativas da OIV, sujeitas a revisão. O retrato divulgado em maio aponta uma indústria que precisa se adaptar à menor demanda sem pressupor que todos os países, categorias de vinho ou segmentos de preço tenham o mesmo comportamento.

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