A campanha de venda antecipada dos vinhos da Borgonha começou 2024 em um cenário diferente do observado um ano antes. Depois de uma safra 2021 marcada por volumes muito baixos, a colheita de 2022 devolveu maior disponibilidade ao mercado e chegou ao período de lançamentos acompanhada por avaliações iniciais positivas.
Na Borgonha, parte importante dos vinhos é oferecida por comerciantes ainda antes de chegar ao consumidor final, no sistema conhecido como en primeur. Para compradores habituados a disputar pequenas alocações de produtores e denominações muito procurados, o aumento da produção em 2022 abriu a possibilidade de encontrar rótulos que vinham sendo especialmente difíceis de adquirir.
As primeiras análises da safra destacaram principalmente a qualidade dos tintos. O crítico Charles Curtis MW avaliou o conjunto dos tintos como de qualidade muito alta, enquanto os brancos foram considerados de bons a muito bons. A combinação entre qualidade e maior volume colocou a safra no centro das atenções no início da campanha.
Mais vinho disponível após uma safra escassa
A diferença de volume em relação a 2021 é um dos principais elementos do mercado. A safra anterior havia sido particularmente pequena e levou diversos produtores a trabalhar com quantidades reduzidas. Como consequência, comerciantes tiveram menos garrafas para distribuir entre clientes que já enfrentavam listas de espera e alocações restritas.
Com rendimentos maiores em 2022, a expectativa no início de janeiro era de que alguns compradores encontrassem mais oportunidades. Isso não significa, porém, abundância nos nomes mais disputados. A procura por grandes produtores e parcelas consagradas continua superior à oferta em muitos casos, especialmente nas denominações de maior prestígio.
O cenário econômico também passou a fazer parte da equação. Comerciantes ouvidos no início da campanha apontaram que a combinação entre uma colheita maior e um mercado menos aquecido poderia facilitar o acesso a determinadas cuvées. Depois de anos de forte pressão sobre preços e disponibilidade, a safra de 2022 surgia, portanto, como uma campanha potencialmente mais favorável ao comprador.
Preços seguem no radar
O comportamento dos preços permanece como um dos pontos de atenção. A pequena colheita de 2021 levou alguns produtores a reajustar valores para compensar custos e volumes reduzidos. Com a normalização parcial da produção em 2022, o mercado passou a observar se esses aumentos continuariam ou se haveria maior estabilidade.
A Borgonha vive há anos uma combinação de produção limitada, demanda internacional elevada e forte valorização de seus vinhos mais conhecidos. Por isso, mesmo uma safra maior não altera completamente a dinâmica da região. Ainda assim, 2022 começou a ser comercializada com uma condição rara nos últimos anos: mais vinho disponível, boa recepção crítica e alguma expectativa de maior acesso para compradores.



