O consumo mundial de vinho recuou 2,6% em 2023 e atingiu cerca de 221 milhões de hectolitros, o menor nível desde 1996. Os dados foram apresentados pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) em seu balanço anual do setor.
A inflação aparece entre os principais fatores conjunturais. Custos de produção e distribuição aumentaram ao mesmo tempo em que a renda disponível dos consumidores ficou pressionada, levando famílias a reduzir compras ou migrar para produtos mais baratos.
A retração ocorreu nos cinco maiores mercados consumidores. Estados Unidos e França permaneceram entre os principais destinos do vinho mundial, mas também registraram queda.
Produção também caiu fortemente
O consumo menor veio acompanhado de uma safra global pequena. A produção de 2023 foi revisada para aproximadamente 237 milhões de hectolitros, queda de 9,6%, com eventos climáticos extremos atingindo diferentes países.
A combinação evitou um aumento ainda maior dos estoques em escala global. Em regiões específicas, porém, excesso de oferta continuou sendo um problema e levou governos e produtores a discutir destilação de crise e retirada de vinhedos.
Mudança pode ser estrutural
A OIV também chama atenção para fatores que vão além da inflação. Mudanças demográficas, novos hábitos e menor interesse de parte dos consumidores jovens podem estar alterando a relação de longo prazo com o vinho.
Os dados de consumo aparente exigem cautela porque estoques mantidos por importadores e distribuidores podem distorcer comparações anuais. Ainda assim, a tendência descendente reforça uma discussão que ganhou espaço em 2024: o setor precisa se adaptar a um mercado mundial menor e mais seletivo.



