O vinho brasileiro começará 2026 com uma presença maior em uma das principais feiras profissionais do setor. O projeto Wines of Brazil confirmou oito vinícolas na Wine Paris, marcada para 9 a 11 de fevereiro, na capital francesa. A participação será a segunda do Brasil no evento e amplia de forma significativa a estrutura apresentada em 2025, quando três empresas brasileiras participaram da feira.
De três para oito vinícolas
A delegação anunciada reúne Aurora, Bárbara Eliodora, Casa Almeida Barreto, Casa Valduga, CRS Brands, Garziera, do Grupo Verano, Miolo e Salton. A composição também chama atenção pela diversidade geográfica: embora o Rio Grande do Sul continue sendo o principal polo da vitivinicultura nacional, a representação inclui rótulos de Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais. Essa variedade ajuda a apresentar o Brasil não apenas como um produtor concentrado na Serra Gaúcha, mas como um país com diferentes condições de cultivo e estilos de vinho.
A expansão ocorre depois de resultados comerciais considerados positivos na estreia. Segundo o Wines of Brazil, as três vinícolas presentes em 2025 realizaram 92 contatos durante a feira, dos quais 66 eram novos. O número significa que 71% dos relacionamentos comerciais estabelecidos naquele momento foram com potenciais novos clientes. Para um setor que ainda exporta uma parcela pequena de sua produção, criar canais com importadores e distribuidores é uma etapa relevante para ganhar escala internacional.
Uma feira cada vez maior
A Wine Paris também cresceu rapidamente no calendário mundial. A edição de 2025 recebeu 52.622 visitantes profissionais de 154 países e reuniu 5.400 expositores. Foram registradas mais de 20 mil reuniões previamente agendadas. O perfil do público — importadores, compradores, distribuidores, profissionais de hotelaria e restauração, imprensa e formadores de opinião — transforma o evento em uma oportunidade de negociação, e não apenas de exposição de marca.
Para o Brasil, esse tipo de feira tem importância adicional. Diferentemente de países tradicionais como França, Itália e Espanha, o vinho brasileiro ainda precisa explicar sua origem, seus estilos e as particularidades de sua produção a boa parte do mercado internacional. A presença coletiva permite apresentar diferentes produtores sob uma narrativa comum de país, ao mesmo tempo em que cada vinícola negocia seus próprios canais.
Internacionalização como estratégia
O Wines of Brazil é desenvolvido pelo Consevitis-RS em parceria com a ApexBrasil e tem justamente a missão de ampliar a presença dos vinhos nacionais no exterior. A participação em feiras é uma das principais ferramentas do projeto, ao lado de missões comerciais, ações promocionais e aproximação com compradores internacionais.
A Wine Paris de 2026 será, portanto, mais um teste da capacidade brasileira de transformar reconhecimento de qualidade em negócios recorrentes. O salto de três para oito empresas não significa, sozinho, uma mudança de patamar nas exportações, mas mostra que há disposição para ocupar mais espaço nos eventos onde importadores e distribuidores definem parte de seus portfólios. Para o vinho brasileiro, visibilidade internacional passa cada vez mais por presença contínua, relacionamento comercial e capacidade de entregar produto de forma consistente.



