Michel Rolland, um dos enólogos-consultores mais conhecidos do mundo, morreu aos 78 anos. Nascido em Libourne, em Bordeaux, ele construiu uma carreira que ultrapassou as fronteiras francesas e participou de projetos em dezenas de regiões produtoras.
De Bordeaux para o mundo
Rolland cresceu em uma família ligada ao vinho e formou sua reputação a partir da margem direita de Bordeaux. Com o tempo, passou a trabalhar como consultor internacional, levando sua experiência a propriedades na Europa, nas Américas, na África do Sul e em outros mercados.
Sua atuação coincidiu com uma fase de internacionalização acelerada do vinho. Produtores buscavam melhorar consistência, maturação das uvas e precisão técnica, e consultores capazes de circular entre diferentes países ganharam enorme influência.
Um estilo que gerou admiração e críticas
O nome de Rolland ficou associado a vinhos maduros, concentrados e polidos, embora resumir décadas de trabalho a uma fórmula seja simplificador. Seu sucesso também o transformou em personagem central do debate sobre a possível padronização do gosto internacional.
A discussão ganhou projeção especialmente quando críticos passaram a questionar se a influência de consultores e grandes avaliadores poderia aproximar estilos produzidos em terroirs muito diferentes. Rolland rejeitava a ideia de que impusesse uma receita única.
Influência além da adega
Sua importância não se limitou à técnica. Rolland ajudou a consolidar o modelo do enólogo-consultor global, profissional capaz de participar de decisões de vinhedo, colheita, extração, madeira e corte em projetos espalhados por vários continentes.
Na América do Sul, sua presença foi particularmente relevante na Argentina, onde participou da transformação qualitativa e internacional de diversos projetos. O período coincidiu com a ascensão de Mendoza e do Malbec no mercado mundial.
Um legado difícil de separar da história recente
Gostando ou não do estilo associado a ele, é difícil contar a história do vinho das últimas décadas sem mencionar Michel Rolland. Sua carreira atravessou a globalização do consumo, a ascensão da crítica de pontuação e a profissionalização técnica de regiões emergentes.
Sua morte encerra uma trajetória singular, mas o debate que acompanhou seu trabalho permanece atual: até que ponto técnica, mercado e preferência crítica devem orientar um vinho sem apagar a identidade do lugar?



