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Vinhos australianos avançam no Canadá em meio à retração das importações dos EUA

O mercado canadense de vinhos passou por uma mudança expressiva na origem das garrafas importadas. Dados divulgados pela Wine Australia em maio de 2026 mostram forte retração nas compras de vinhos dos Estados Unidos e crescimento da participação australiana, em um cenário marcado por restrições comerciais adotadas em 2025.

Nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, o volume de vinhos norte-americanos importados pelo Canadá caiu de 66 milhões para 18 milhões de litros, uma redução de 73%. No mesmo intervalo, as importações de vinhos australianos cresceram 6%, chegando a 65 milhões de litros.

Exportações australianas também cresceram

Em outro recorte, referente aos 12 meses encerrados em março de 2026, a Wine Australia registrou exportações para o Canadá de 188 milhões de dólares australianos, alta de 24% em valor. O volume exportado chegou a 69 milhões de litros, crescimento de 15%.

Esses dois conjuntos de números não devem ser tratados como se fossem uma única medição: o primeiro descreve as importações canadenses até fevereiro, enquanto o segundo acompanha as exportações australianas até março. As diferenças de período e metodologia ajudam a explicar por que os volumes não coincidem.

A Cabernet Sauvignon foi um dos destaques, com crescimento de 90% nas exportações australianas dessa variedade para o mercado canadense. O desempenho mostra que a mudança não se restringiu ao volume agregado e atingiu segmentos específicos da oferta.

Restrições e concorrência

As medidas comerciais aplicadas a produtos norte-americanos não tiveram implementação uniforme em todas as províncias canadenses. Por isso, seus efeitos sobre distribuição, oferta e preferência dos compradores variaram conforme o mercado local.

O boletim também observa que marcas australianas já estabelecidas no Canadá conseguiram aproveitar a reorganização das compras. Isso sugere que presença comercial anterior e canais de distribuição continuam importantes para converter uma oportunidade conjuntural em vendas.

A queda nas importações dos Estados Unidos é um elemento relevante para compreender a mudança, mas não permite atribuir automaticamente todo o avanço australiano às restrições. O resultado combina alterações na concorrência com a capacidade dos fornecedores de atender à demanda canadense.

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