As negociações internacionais de vinho a granel permaneceram lentas entre abril e o início de maio de 2026. A avaliação é da corretora especializada Ciatti, que descreve compradores mais seletivos, custos operacionais em alta e incerteza sobre a absorção dos vinhos recém-produzidos no Hemisfério Sul.
O mercado a granel movimenta vinho comercializado antes do engarrafamento, frequentemente destinado a empresas que fazem a etapa final de acondicionamento ou utilizam o produto em suas linhas. Sua dinâmica depende tanto da qualidade e disponibilidade das safras quanto de logística, estoques e decisões de redes distribuidoras.
Estoques e demanda pesam nas negociações
Segundo a Ciatti, as vindimas de 2026 no Hemisfério Sul estavam concluídas, e amostras dos novos vinhos começavam a circular entre potenciais compradores. O ritmo das primeiras encomendas seria um sinal importante para produtores que ainda mantinham estoques de anos anteriores.
A análise aponta aumentos de custos de combustíveis, transporte e fertilizantes em diferentes mercados. Ao mesmo tempo, distribuidores e varejistas enfrentam consumidores sensíveis a preço e têm menor disposição para ampliar compras. A pressão é especialmente relevante quando existem fornecedores alternativos e estoques disponíveis.
A redução da produção mundial em anos recentes ajudou a ajustar parte dos inventários, mas não eliminou a fragilidade da demanda. A Ciatti menciona a estimativa da OIV de 227 milhões de hectolitros produzidos em 2025, praticamente estável ante 2024, e a queda de 2,7% no consumo mundial no mesmo período.
Vinhos de maior valor também entram na disputa
Uma consequência descrita no relatório é o redirecionamento de parte dos vinhos de segmentos superiores para canais de venda a granel. Marcas próprias e promoções agressivas no varejo também podem aumentar a concorrência por preço, ainda que isso não represente uma estratégia sustentável para todos os produtores.
A indústria experimenta alternativas como vinhos de baixo ou nenhum teor alcoólico e bebidas prontas para consumo à base de vinho. A Ciatti ressalva, porém, que esses segmentos ainda representam parcelas pequenas em comparação com categorias estabelecidas; não constituem uma solução imediata para o excedente de oferta.
O panorama é uma leitura comercial publicada pela corretora, não um levantamento estatístico exaustivo de todos os países. A intensidade das pressões varia entre origens, tipos de vinho e contratos.



