InícioNotíciasUvas híbridas preservadas no Brasil atraem missão internacional à Serra Gaúcha

Uvas híbridas preservadas no Brasil atraem missão internacional à Serra Gaúcha

A presença de variedades híbridas e americanas preservadas na Serra Gaúcha levou uma missão internacional à Embrapa Uva e Vinho em janeiro. Entre os dias 21 e 28, pesquisadores, produtores e uma equipe audiovisual percorreram a região para conhecer a história de uvas que perderam espaço em seus países de origem, mas continuaram cultivadas no Brasil.

A visita fez parte da preparação de um documentário dedicado à trajetória dessas variedades. A comitiva reuniu a ampelógrafa e viticultora norte-americana Lucie Morton, o cineasta francês Stephan Balay e o vitivinicultor Nathan Held, da Stone Hill Winery, nos Estados Unidos. Na Embrapa, o grupo foi acompanhado pela pesquisadora e melhorista Patrícia Ritschel e pela jornalista Viviane Zanella.

O projeto documental pretende mostrar como determinadas regiões ajudaram a conservar uvas híbridas e americanas que foram marginalizadas ou eliminadas de áreas onde anteriormente eram cultivadas. Nesse percurso, a Serra Gaúcha aparece como um dos territórios que mantiveram parte desse patrimônio vitícola.

Variedades que encontraram espaço na Serra Gaúcha

Entre as uvas pesquisadas estão a Cynthiana, também conhecida como Norton ou Zeperina, e a Cunningham, que acumulou diferentes denominações ao longo do tempo, entre elas Champagneta, Champagnon, Herbemont e Pica Curta.

A multiplicidade de nomes ajuda a revelar uma característica importante da história da viticultura: variedades podem atravessar países, ganhar denominações locais e permanecer cultivadas em determinadas comunidades mesmo depois de perder relevância comercial em outros lugares.

No Brasil, as uvas americanas e híbridas têm papel histórico particularmente importante. Elas participaram da formação da viticultura em diferentes regiões e continuam presentes em diferentes usos da produção de uvas.

Interesse internacional pelo patrimônio vitícola

A missão também reforça o papel dos bancos de germoplasma e dos programas de pesquisa na preservação da diversidade genética da videira. Manter variedades menos difundidas pode ter valor histórico e científico, além de oferecer material para estudos de melhoramento e adaptação.

Esse tema ganhou relevância adicional diante dos desafios impostos por doenças e pelas mudanças nas condições de cultivo. Características como resistência, adaptação ao clima e comportamento diante de diferentes pressões sanitárias estão cada vez mais presentes nas discussões sobre o futuro da viticultura.

Ao incluir a Serra Gaúcha em uma investigação internacional sobre uvas históricas, o projeto coloca em evidência uma faceta menos conhecida da produção brasileira. Para além das variedades viníferas internacionalmente famosas, a região também guarda uma história construída com cultivares que atravessaram fronteiras e encontraram no Brasil condições para permanecer em cultivo.

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