Uma pequena produtora da Galícia, no noroeste da Espanha, denunciou a destruição deliberada de videiras antigas em uma de suas parcelas. O ataque atingiu plantas com décadas — e em alguns casos gerações — de história, causando um prejuízo que não pode ser medido apenas pelo valor de uma safra.
Videiras velhas são valorizadas por produtores porque carregam material genético adaptado ao local e frequentemente produzem rendimentos menores, mas frutos de grande interesse enológico.
Quando uma planta antiga é cortada de maneira irreversível, replantar a mesma variedade não recria imediatamente o patrimônio perdido. São necessários muitos anos para que um novo vinhedo desenvolva raízes e comportamento semelhantes.
Patrimônio agrícola vulnerável
Pequenos vinhedos históricos muitas vezes estão dispersos em parcelas e dependem de trabalho manual. Isso torna difícil proteger fisicamente cada área contra vandalismo.
A Galícia vive uma valorização crescente de suas variedades locais e de vinhedos antigos. Regiões como Rías Baixas, Ribeiro, Ribeira Sacra e Valdeorras ganharam projeção internacional justamente por identidades ligadas ao território.
Perda ultrapassa uma colheita
O dano imediato inclui a fruta que deixará de ser produzida. O impacto mais profundo, porém, está no tempo: uma videira centenária não pode ser substituída por uma muda e recuperada na safra seguinte.
O episódio reacendeu discussões sobre proteção de vinhedos históricos. Em um setor que frequentemente fala de patrimônio e tradição, a preservação física das plantas é uma parte concreta — e às vezes frágil — dessa história.



