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Robôs com luz ultravioleta avançam no combate a doenças dos vinhedos

A robótica agrícola começa a sair do campo experimental e ganhar escala comercial nos vinhedos. A Saga Robotics anunciou em janeiro uma nova etapa de expansão nos Estados Unidos para sua plataforma autônoma Thorvald, utilizada em vinhedos para combater o oídio com luz UV-C e reduzir a dependência de fungicidas.

Luz em vez de uma aplicação convencional

O princípio chama atenção porque o robô não precisa pulverizar um produto químico para realizar o tratamento. Equipado com módulos de luz ultravioleta do tipo UV-C, o Thorvald percorre as linhas do vinhedo e expõe as plantas à radiação em condições controladas. O objetivo é interromper o desenvolvimento de fungos responsáveis por doenças como o oídio.

A tecnologia é particularmente interessante para a viticultura porque doenças fúngicas exigem atenção constante durante a temporada. Dependendo do clima e da região, produtores realizam diversas aplicações para manter folhas e cachos protegidos. Reduzir parte desse manejo pode diminuir uso de insumos, trânsito de máquinas convencionais e exposição dos trabalhadores.

Escala comercial cresce

Segundo a Saga Robotics, a operação na Califórnia aumentou fortemente durante a temporada de 2025. A empresa informou ter multiplicado por dez a área atendida e pretende continuar ampliando a presença nos vinhedos americanos. Em janeiro, também anunciou Caine Thompson como novo gerente-geral para os Estados Unidos, reforçando a estratégia de expansão comercial.

A empresa já vinha operando a tecnologia em propriedades americanas e britânicas. O avanço é relevante porque muitas soluções de agricultura de precisão funcionam tecnicamente em demonstrações, mas enfrentam dificuldade para atingir escala econômica. Um robô agrícola precisa operar durante longas jornadas, navegar entre fileiras, lidar com terrenos irregulares e justificar financeiramente o investimento ou o custo do serviço.

IA e autonomia no vinhedo

A aplicação de UV-C é apenas uma parte do movimento. Plataformas robóticas podem combinar navegação autônoma, sensores, câmeras e sistemas de análise para executar tarefas e coletar dados ao mesmo tempo. Em pesquisas recentes, robôs também vêm sendo testados para identificar sintomas de doenças e mapear problemas quase em tempo real.

Isso abre espaço para uma viticultura mais localizada. Em vez de tratar uma propriedade inteira da mesma forma, informações coletadas planta a planta podem indicar onde há maior pressão de doença, deficiência ou necessidade de intervenção. A inteligência artificial entra principalmente na interpretação dessas imagens e sinais.

Sustentabilidade precisa funcionar economicamente

O apelo ambiental é evidente, mas a adoção depende de produtividade e custo. Vinhedos comerciais não podem depender de uma tecnologia que funcione apenas em condições ideais. Autonomia, velocidade, manutenção, disponibilidade de equipamentos e capacidade de operar no momento correto são fatores tão importantes quanto a redução de defensivos.

A pressão por soluções desse tipo tende a aumentar. Produtores enfrentam metas ambientais mais rígidas, resistência de doenças a determinados produtos, custos de mão de obra e maior cobrança dos consumidores por práticas sustentáveis. Ao mesmo tempo, mudanças climáticas podem favorecer condições mais difíceis para o manejo fitossanitário em algumas regiões.

Os robôs ainda estão longe de substituir todas as operações de um vinhedo. Mas o avanço comercial observado na Califórnia mostra que a mecanização da viticultura está entrando em uma nova fase: máquinas deixam de apenas executar tarefas pesadas e começam a tomar decisões, coletar informação e realizar tratamentos de precisão.

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