A viticultura brasileira ganhou duas novas cultivares voltadas ao processamento. A Embrapa Uva e Vinho apresentou em fevereiro a BRS Lis e a BRS Antonella, uvas tintureiras desenvolvidas pelo programa Uvas do Brasil e recomendadas para a Serra Gaúcha.
Duas uvas com funções complementares
A BRS Lis se destaca pela qualidade do mosto, elevada coloração, teor de açúcares e tolerância ao míldio e às podridões dos cachos. A BRS Antonella tem como uma de suas principais características o alto potencial produtivo e também entrega forte contribuição de cor.
A proposta da Embrapa é que as duas possam ser utilizadas separadamente ou em conjunto. A Lis pode originar sucos e vinhos varietais e também participar de cortes, enquanto a Antonella é especialmente indicada para agregar volume e cor aos produtos finais.
Mais de uma década de avaliação
As cultivares foram avaliadas por mais de dez anos em áreas experimentais e unidades de validação, com participação de produtores e cooperativas. Esse período permite observar comportamento agronômico em diferentes safras e verificar se as características identificadas em pesquisa se mantêm em condições comerciais.
Para uma região úmida como a Serra Gaúcha, tolerância a doenças tem impacto direto no manejo. Menor sensibilidade ao míldio e às podridões pode contribuir para reduzir riscos de perda e tornar o sistema produtivo mais eficiente.
Uvas tintureiras têm papel específico
Uvas tintureiras possuem pigmentação não apenas na casca, mas também na polpa e no suco. Essa característica permite aumentar intensidade de cor em sucos e vinhos e explica por que essas variedades são frequentemente utilizadas em cortes.
No Brasil, o segmento de uvas para processamento envolve uma cadeia diferente daquela dos vinhos finos elaborados exclusivamente com Vitis vinifera. Sucos e vinhos de mesa possuem enorme importância econômica, principalmente no Sul, e programas de melhoramento buscam cultivares adaptadas às condições locais.
Pesquisa brasileira aplicada ao vinhedo
O lançamento mostra uma das particularidades da vitivinicultura nacional: desenvolver material genético para problemas concretos de clima, produtividade e sanidade. Em vez de simplesmente reproduzir variedades estrangeiras, a pesquisa cria alternativas adaptadas ao ambiente brasileiro.
BRS Lis e BRS Antonella chegam ao produtor como ferramentas adicionais. O resultado final dependerá da adoção no campo e da resposta do mercado, mas o lançamento amplia o repertório disponível para uma das cadeias mais importantes da viticultura brasileira.



