Depois de mais de 18 anos de pesquisa, a Embrapa apresentou a BRS Pérola, nova cultivar brasileira de uva branca sem sementes destinada principalmente ao consumo in natura. O lançamento ocorreu em Alto Feliz, no Rio Grande do Sul, e amplia as opções para produtores da Região Sul.
Produtividade e cultivo protegido
Nos ensaios realizados na Serra Gaúcha e em áreas de Santa Catarina, a BRS Pérola demonstrou potencial produtivo de até 30 toneladas por hectare sob cobertura plástica. O sistema protegido é utilizado para reduzir perdas relacionadas ao excesso de chuva e dar maior previsibilidade à produção.
A cultivar foi selecionada também pensando em facilidade de manejo. Para o produtor, uma nova variedade só se torna relevante quando combina qualidade de fruta, produtividade, adaptação regional e viabilidade operacional.
Dezoito anos entre cruzamentos e validação
Melhoramento de videiras é um processo longo. Depois dos cruzamentos iniciais, pesquisadores precisam selecionar indivíduos, multiplicar material, avaliar produtividade, qualidade, sanidade e estabilidade durante sucessivas safras.
A BRS Pérola passou por esse caminho antes de chegar aos viveiristas licenciados. O tempo envolvido ajuda a explicar por que lançamentos de cultivares representam investimentos de longo prazo e não respostas rápidas a uma tendência de mercado.
O consumidor quer uva sem sementes
Uvas apirênicas ganharam espaço no mercado de mesa por praticidade e experiência de consumo. Para produtores brasileiros, depender apenas de cultivares desenvolvidas em outros países pode trazer limitações de adaptação e custos.
Uma cultivar nacional permite direcionar características às condições do Sul do Brasil. Isso não elimina a concorrência com variedades internacionais, mas oferece mais uma alternativa para propriedades que buscam diversificação.
Pesquisa vitícola além do vinho
Embora a Embrapa Uva e Vinho seja frequentemente associada à indústria vinícola, a cadeia da uva é mais ampla. Uvas de mesa, sucos, vinhos e derivados demandam materiais genéticos e sistemas de produção diferentes.
A BRS Pérola reforça essa amplitude. O lançamento não muda diretamente o vinho brasileiro, mas mostra a capacidade de pesquisa da viticultura nacional e o esforço para desenvolver soluções próprias para diferentes mercados.



