O inverno ameno registrado em partes da França acelerou o desenvolvimento das videiras e aumentou a preocupação dos produtores com geadas tardias. Em meados de março, algumas regiões já observavam brotação mais avançada do que o habitual.
O risco aparece quando períodos quentes antecipam o despertar das plantas. Depois que os brotos surgem, uma queda repentina de temperatura pode causar danos importantes, mesmo que o inverno como um todo tenha sido mais quente.
Esse padrão se tornou familiar em diferentes regiões europeias. Episódios de geada na primavera já provocaram perdas expressivas em safras recentes e estimularam investimentos em métodos de proteção.
Brotação antecipada amplia a janela de risco
Enquanto a videira permanece dormente, ela suporta temperaturas bastante baixas. A situação muda quando os tecidos jovens aparecem. Brotos recém-formados são vulneráveis e podem ser destruídos por temperaturas próximas ou abaixo de zero.
Produtores utilizam estratégias como velas, ventiladores e sistemas de irrigação para tentar proteger as plantas. Essas técnicas têm custo elevado e sua eficácia depende da intensidade e do tipo de geada.
Clima mais quente não significa menos problemas
A aparente contradição é um dos efeitos mais discutidos das mudanças climáticas na viticultura. Invernos mais amenos podem reduzir determinados riscos, mas também antecipam fases do ciclo e expõem a planta a eventos extremos fora de época.
Para a safra francesa de 2024, março começou com atenção redobrada aos boletins meteorológicos. A evolução das temperaturas nas semanas seguintes seria decisiva para determinar se a brotação precoce representaria apenas uma antecipação do ciclo ou um problema para os rendimentos.



