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Austrália recupera acesso ao mercado chinês após fim de tarifas de até 218%

A China decidiu retirar as tarifas punitivas aplicadas aos vinhos australianos, encerrando uma barreira comercial que praticamente fechou um dos mercados mais importantes do mundo para os produtores da Austrália. A medida passou a valer em 29 de março.

Antes das restrições, a China era o maior destino do vinho australiano. Em 2020, respondia por cerca de 40% das exportações do país. A imposição de tarifas que chegaram a 218% tornou a operação comercial inviável para grande parte das vinícolas e provocou uma queda abrupta nos embarques.

Em 2021, as exportações australianas de vinho para a China já haviam recuado 97%. O impacto coincidiu com dificuldades em outros mercados importantes, como Estados Unidos e Reino Unido, contribuindo para um excesso de oferta que pressionou produtores de uva e vinícolas.

Reabertura chega em momento decisivo

A retirada das tarifas ocorre depois de uma melhora nas relações diplomáticas entre Canberra e Pequim. Em outubro de 2023, a Austrália suspendeu uma reclamação sobre o tema na Organização Mundial do Comércio enquanto os dois governos retomavam negociações.

Para as grandes companhias australianas, a decisão permite reconstruir redes de distribuição que foram desmontadas ao longo dos últimos anos. O retorno, porém, não deve significar uma recuperação imediata aos níveis de 2020: o mercado chinês também mudou durante o período.

Excesso de vinho continua sendo desafio

A reabertura chinesa é especialmente relevante porque a Austrália enfrenta um desequilíbrio entre produção e demanda. Em algumas regiões, produtores chegaram a retirar vinhedos diante da dificuldade de encontrar compradores para as uvas.

O fim das tarifas cria uma nova saída comercial para vinhos premium e de luxo, segmentos nos quais a Austrália possuía forte presença na China. Para o setor, 2024 começa com a possibilidade de reconstruir um mercado que, poucos anos atrás, era fundamental para suas exportações.

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