Uma revisão científica publicada no fim de março colocou números sobre um dos maiores desafios da viticultura: entre 49% e 70% das atuais regiões produtoras de vinho podem se tornar inadequadas para o cultivo, dependendo do nível de aquecimento global.
O trabalho analisou como temperatura, seca e disponibilidade de água podem alterar a geografia mundial da vinha. As áreas mais vulneráveis estão principalmente em regiões já quentes e secas, onde aumentos adicionais de temperatura podem comprometer rendimento e qualidade.
Entre os locais citados como especialmente expostos estão partes da Espanha, Itália, Grécia e sul da Califórnia. Ao mesmo tempo, regiões mais frias podem ganhar condições para produzir uvas destinadas ao vinho.
O mapa do vinho pode se deslocar
A videira é sensível ao clima durante todo o ciclo. Temperaturas elevadas aceleram a maturação, alteram o equilíbrio entre açúcar e acidez e podem antecipar a colheita. Ondas de calor e secas prolongadas acrescentam pressão sobre disponibilidade de água e saúde das plantas.
A adaptação já acontece em várias regiões. Produtores testam variedades mais resistentes ao calor, modificam sistemas de condução, ajustam datas de poda e procuram parcelas em maior altitude ou com exposições mais frescas.
Novas regiões também podem surgir
O aquecimento não produz apenas perdas. Áreas que historicamente eram frias demais para amadurecer uvas de forma consistente passaram a atrair investimentos. O crescimento da viticultura no Reino Unido é um dos exemplos mais conhecidos.
Isso não significa que regiões tradicionais possam simplesmente ser substituídas. Solo, conhecimento acumulado, patrimônio vitícola e identidade de origem não são transferidos com facilidade. A pesquisa reforça que a adaptação será uma das questões centrais do vinho nas próximas décadas.



