As exportações brasileiras de vinhos e espumantes terminaram 2025 com avanço relevante. O setor alcançou US$ 13,3 milhões em vendas ao exterior, crescimento de 26,14% em valor na comparação com 2024, segundo dados do Comex Stat divulgados pelo projeto Wines of Brazil.
Mais países e mais volume
Os produtos brasileiros chegaram a 63 países ao longo do ano. Paraguai, Haiti e Estados Unidos aparecem entre os principais destinos informados pelo projeto. O crescimento não ocorreu apenas em faturamento: o volume total exportado aumentou 24,27%, indicando que a expansão envolveu efetivamente mais produto embarcado.
Os espumantes tiveram desempenho especialmente forte. Em valor, as exportações da categoria cresceram 37,85%; em volume, a alta chegou a 48,76%. Os vinhos tranquilos também avançaram, com crescimento de 23,64% em valor e 22,16% em volume.
Espumante brasileiro ganha força
A diferença entre o desempenho dos espumantes e o conjunto do setor reforça uma característica que o Brasil vem construindo há anos. A categoria é uma das mais reconhecidas internacionalmente dentro da produção nacional e encontra no clima de algumas regiões brasileiras condições favoráveis para preservar acidez e frescor.
Segundo o Wines of Brazil, 72,53% das exportações de espumantes registradas no período vieram de vinícolas participantes do projeto setorial. Ao todo, 21 empresas exportadoras apoiadas pelo programa realizaram vendas ao exterior.
Feiras continuam centrais
O projeto atribui parte do desempenho ao trabalho de promoção internacional. Em 2025, o Wines of Brazil participou de seis feiras internacionais e realizou ações de aproximação entre produtores nacionais e compradores estrangeiros. Esse tipo de presença é importante porque exportar vinho envolve muito mais do que enviar garrafas: é necessário encontrar importadores, construir distribuição, formar mercado e manter relacionamento comercial.
A estratégia continuará em 2026. A Wine Paris abre o calendário internacional do projeto com oito vinícolas brasileiras, ampliando a participação do país em relação à edição anterior.
Crescer sobre uma base ainda pequena
Os percentuais são expressivos, mas precisam ser interpretados dentro da dimensão atual do vinho brasileiro no comércio mundial. US$ 13,3 milhões ainda representam uma base relativamente pequena quando comparada às exportações dos grandes países produtores. Isso significa que o Brasil pode registrar altas percentuais relevantes sem ainda ocupar participação significativa no mercado internacional.
Ao mesmo tempo, uma base pequena também significa espaço para crescimento. A diversidade de regiões produtoras, a reputação dos espumantes e a evolução qualitativa dos vinhos tranquilos fornecem argumentos para ampliar presença em nichos nos quais origem e diferenciação importam mais do que volume.
2026 começa com cautela
O próprio setor evita projetar uma trajetória automática de crescimento. O ambiente internacional combina acordos comerciais em discussão, medidas protecionistas, consumo de vinho pressionado em mercados tradicionais e incerteza econômica.
Nesse cenário, repetir em 2026 um resultado próximo ao de 2025 já seria considerado positivo pelo Wines of Brazil. O desafio é transformar ações promocionais e premiações em negócios permanentes. Mais importante do que um pico de exportação é construir mercados capazes de comprar vinho brasileiro de forma recorrente — e pagar pelo valor agregado da origem.



